Entenda a oscilação do dólar neste ano, como ela afeta nossa economia e como investir nesta moeda.

Entenda a oscilação do dólar neste ano, como ela afeta nossa economia e como investir nesta moeda.

Autor: Giulia S. Tolusso | Data: 08/07/2020.

Sabemos que o dólar oscila diariamente, e seu reflexo traz diversas consequências para nossa economia. Nesse artigo explicamos por que há tanta oscilação da moeda estrangeira, principalmente no ano de 2020, e como somos afetados por ela.

Podemos separar o dólar em duas categorias de negociação. O primeiro é o dólar turismo, negociado por pessoas físicas e mais caro, dado que é transacionado em menor volume. O segundo é o dólar comercial, negociado por instituições financeiras e empresas, que em comparação, costuma ser mais barato devido ao grande volume transacionado.

O preço determinante do dólar vem a partir das transações do dólar comercial. Todos os dias às instituições financeiras compram e vendem dólar. Quando há muita oferta de dólar no mercado, e menos demanda, a tendência é que a cotação do dólar caia. Quando há muita demanda de dólar, e menos oferta, a tendência é que a cotação suba. E assim ela é definida, através da oferta e procura.

Determinantes da oscilação do dólar

Balança comercial: quando há um déficit na balança comercial, isso quer dizer que o Brasil importou mais do que exportou, ou seja, mandou mais dólares para fora do que recebeu. Isso diminui a oferta de dólar no mercado e faz com que a cotação do dólar suba, ele se valoriza frente ao real. O contrário também acontece, com um superávit, ou seja, há mais oferta de dólar no mercado brasileiro e sua cotação tende a cair.

Turismo: quando os brasileiros gastam no exterior, há menos dólares no mercado brasileiro, diminuindo a oferta e a cotação sobe. Quando acontece o movimento contrário, e os estrangeiros gastam dólares aqui dentro do brasil, a cotação tende a descer.

Juros: quando há um aumento de juros nos Estados Unidos, a tendência é que os investidores que estavam no mercado financeiro brasileiro migrem para os EUA, já que há maiores perspectivas de ganhos. Isso faz com que a cotação suba, pois eles tiram dólares do mercado. Quando os juros do Brasil sobem, isso se torna um atrativo para os investidores estrangeiros, que vislumbram maiores perspectivas de ganhos dentro do país. Assim, eles investem no Brasil e há mais oferta de dólar no mercado, fazendo com que a cotação da moeda caia.

Como isso afeta nossa economia?

Um dólar valorizado frente ao real é muito benéfico para o exportador, pois ele vai ganhar mais dinheiro na sua operação. Já quando o dólar está desvalorizado é benéfico para o importador, que pagará menos por aquele produto.

É fundamental que exista um equilíbrio entre os dois cenários. O Brasil é um país exportador, mas se procurarmos apenas beneficiar empresas exportadoras, todas as empresas importadoras sentirão um impacto que reflete no preço de seus produtos e a longo prazo gera inflação para os consumidores. Mas se priorizarmos apenas empresas importadoras e o real se valorizar muito frente ao dólar, isso pode tirar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Para garantir esse equilíbrio de dólar no mercado, o Brasil possui um regime de dirty float. Isso significa que mesmo a precificação do dólar sendo feita pelo mercado, o Banco Central faz intervenções para “controlar” a direção dessa oscilação. Por exemplo, quando o dólar sobe muito, o BACEN costuma vender dólares no mercado, para aumentar sua oferta e fazer com que a cotação desça.

A cotação do dólar também influencia a B3, a bolsa de valores do Brasil. Existe uma correlação negativa (não é uma lei, mas tende a acontecer), o que significa que quando o dólar sobe, a bolsa cai.

A oscilação do dólar em 2020

O mercado viu o dólar disparar frente ao real no ano de 2020. Isso se deve principalmente ao impacto do COVID-19 no mercado como um todo. A pandemia fez com que a demanda por dólar se elevasse muito, dado que trata-se de uma moeda considerada segura pelos investidores. Assim, mais gente compra dólar para se proteger da oscilação do mercado, fazendo com que a moeda suba.

Também com o grande número de casos no Brasil, as incertezas e instabilidades dentro do mercado, além da queda da taxa Selic, a tendência é que haja fuga de capital estrangeiro dos investidores.

Sempre que os investidores estrangeiros enxergam instabilidade dentro de um país, procuram tirar seu capital de lá para se proteger do risco de mercado, diminuindo a oferta da moeda estrangeira. Como exemplo, podemos citar a saída do ministro Sérgio Moro, o cenário de uma crise política juntamente com uma crise sanitária causou um pânico muito grande dentro do mercado. Isso fez com que o dólar disparasse chegando ao valor de ‘5,71.

Como investir em dólar?

  • Papel moeda
  • Ações de empresas com receita em dólar
  • Fundos cambiais
  • ETF’s
  • Operando no mercado futuro

Papel moeda

Não é o tipo de investimento mais indicado devido ao custo de aquisição, pois há tributação de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Também é cobrado spread pelas instituições financeiras e algumas outras taxas adicionais.

Ações de empresas

As empresas que exportam seus produtos possuem uma receita em dólar, então sua capacidade de gerar lucro está diretamente ligada a essa moeda, e isso tem reflexo no preço de suas ações. Se o dólar sobe, consequentemente elas se valorizam, e dessa forma o investidor pode ganhar dinheiro. Um ponto positivo é que não há cobrança de IOF e a tributação do IR segue a alíquota da renda variável, que é muito baixa.

Fundos Cambiais

Os fundos cambiais irão investir no mínimo 80% do patrimônio do fundo em ativos de variação cambial, proporcionando uma diversificação maior dos mesmos e trazendo mais segurança para o investidor. O ponto negativo é que há cobrança de taxa de administração, IOF (em operações com prazo menores de 30 dias) e pode haver sobre taxa de performance também.

ETF’s

ETF’s (Exchange Traded Funds) são fundos de ações que replicam um índice. Você pode investir em fundos que replicam índices de outros países, como por exemplo o IVVB11, atrelado ao índice S&P500. A carteira do fundo é lastreada em ativos das 500 maiores empresas norte-americanas de capital aberto, ou seja, quando há valorização do dólar o fundo tende a se valorizar.

Mercado Futuro

Na B3 há possibilidade de comprar contratos futuros, que servem como forma de proteção para o investidor e também trazem retornos a partir das variações cambiais. Assim você adquire o direito de comprar dólares com uma cotação pré-definida, então se o dólar subir mais que isso, você sai ganhando com sua valorização.

O investidor tem a opção de adquirir contratos cheios ou minicontratos. Os minicontratos possuem valor de aplicação menor, e também menores riscos. Já o contrato cheio possui uma aplicação mínima maior e mais riscos, porém existe a possibilidade de maiores ganhos.

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