A mulher no mercado financeiro

A mulher no mercado financeiro

Autor: Juliana Aga | Data: 12/08/2020.

Não é novidade que a mulher representa uma minoria no mercado financeiro. Mesmo com o fortalecimento do movimento pró-feminismo e o empoderamento feminino durante a última década, sua participação de mercado ainda é muito desproporcional se comparada ao público masculino, principalmente quando olhamos para o setor dos investimentos.

De acordo com um estudo divulgado em 2019 pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), estima-se que os países da América Latina levarão 59 anos para atingir a paridade de gêneros no mercado de trabalho. Apesar de a mulher ser ativa profissionalmente, em alguns setores a representatividade feminina ainda é significativamente menor.

Na bolsa de valores brasileira (B3), o cenário não é diferente: apenas 25% dos CPFs cadastrados correspondem a mulheres.

Mas por que isso ainda acontece nos dias de hoje? Seria uma questão de nível de escolaridade? Medo? Preconceito? Confira nesse artigo!

Contexto histórico

Um dos primeiros passos é compreendermos qual era o papel da mulher perante a sociedade há algumas décadas atrás e como isso as impacta até os dias de hoje.

Historicamente, a mulher era destinada a cuidar da casa e dos filhos, enquanto o marido era responsável por trabalhar fora e, consequentemente, o principal provedor da família. A mulher passou a ter seu espaço no mercado de trabalho apenas após o início da industrialização, em meados do século XIX. Ainda assim, é muito comum que o marido (ou até mesmo o pai) seja a pessoa responsável pelas decisões financeiras da família.

No final do século XIX e início do século XX também não era permitido a participação de mulheres nas mesas de negociações das Bolsas de Valores.

Cenário atual

Ainda hoje existe o estereótipo de que finanças não é um assunto para as mulheres. Esse é um pensamento retrógrado, porém, muitas pessoas ainda o carregam, mesmo que de maneira inconsciente, independente de sua classe econômica.

A baixa proporção das mulheres em cargos de liderança reflete o volume de investidoras. Existem diversas estatísticas que comprovam que conforme a escala organizacional de uma empresa cresce, a proporção de mulheres ocupando estes cargos diminui. Nos últimos anos, os números estão aumentando, dado o empoderamento da mulher, o que tem chamado a atenção do mercado como um todo. Acredita-se que com a força do empreendedorismo e o aumento da independência feminina, a quantidade de mulheres nesse universo aumente ainda mais.

Frente ao cenário predominantemente masculino, o mercado viu a necessidade de criar um escritório de assessoria de investimentos focado para mulheres – ELLA’S. Também parceiro da XP Investimentos, é formado por uma equipe 100% feminina, com foco em auxiliar a mulher no mercado financeiro.

Em julho desse ano, a XP Inc. divulgou que estabeleceu como meta contar com pelo menos 50% de mulheres em seu quadro de funcionários – em todos os níveis hierárquicos – até o ano de 2025. Atualmente apenas 22% do quadro de funcionários é formado por mulheres.

Alinhado aos objetivos da XP Inc., a EWZ Capital, um dos maiores escritórios de agentes autônomos credenciados à XP Investimentos, já tem como meta que pelo menos metade dos seus funcionários pertença ao público feminino. Alguns cargos de liderança, inclusive, já são preenchidos por mulheres.

Diferenças baseadas em gênero

De acordo com alguns estudos, o homem é mais confiante do que a mulher, o que pode influenciar a decisão de investimentos. É esperado que o homem tenha um perfil de investidor mais agressivo do que a mulher, por exemplo.

No entanto, por ser menos confiante, muitas vezes a mulher é mais avessa ao risco, e a sua tomada de decisão é com base no longo prazo e embasada em mais pesquisa, o que dificulta movimentos mais arriscados. Portanto, entende-se que o desempenho da carteira de uma mulher pode ser, muitas vezes, superior ao desempenho da carteira de um homem.

Fora isso, sabemos que ainda há uma discrepância quando avaliamos os salários de homens e mulheres. Além de as mulheres ganharem menos, elas também ocupam – em sua maioria – cargos inferiores aos homens. Como consequência, o montante investido por uma mulher tende a ser inferior ao montante investido por um homem.

De acordo com alguns dados divulgados pelo IBGE em 2018, 23% das mulheres brasileiras tem nível superior completo. Apenas 18% dos homens com nacionalidade brasileira tem o mesmo nível de escolaridade. Ou seja, mesmo as mulheres estudando mais do que os homens, há um gap salarial entre gêneros.

Esses são alguns são fatores que justificam a sub-representação da mulher no mercado financeiro.

Além disso, há alguns fatores-chave que influenciam a vida professional de todas as mulheres, independente do setor em que estão inseridas, tais como: jornada dupla (cuidar da casa ou do filho e trabalhar), maternidade, entre outros.

A importância da mulher no mercado de trabalho

Após analisar o contexto histórico e como funciona o mercado atualmente, podemos concluir que a presença da mulher no mercado de trabalho – mais especificamente no mercado financeiro – é essencial para evolução do mesmo.

É inegável que a inserção do público feminino no mercado é importante para a sociedade, mas também não podemos deixar de pontuar que á algo que contribui para a economia global.

As mulheres já conquistaram seu espaço nos últimos anos, mas ainda há muito pela frente. Muitas dessas conquistas são provenientes de estudo, portanto, continuem! Vamos lutar sempre por igualdade, seja ela no mercado financeiro ou onde for.

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2 comentários em “A mulher no mercado financeiro”

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